Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

José Luís Peixoto

Tem 33 anos, há sete que vive só do que escreve. E o que escreve é da literatura portuguesa mais traduzida no mundo. José Luís Peixoto, contrário do alentejano que vive devagar, tão depressa ganhou o prémio Saramago como passou a ter o seu  nome atribuído a um galardão para jovens escritores.  Se já era diferente antes, agora, diz, é ainda mais.

Foi mais difícil conquistar o prémio Saramago, ou Saramago,  o escritor?
Não me sinto à vontade com o verbo “conquistar”. Não creio que tenha conquistado o escritor. E o prémio conquistei-o só uma vez.

José Saramago faz parte dos escritores a quem enviou o seu primeiro livro “Morreste-me”?
Faz. (Cont. Farpas)
Publicado por João Monge Ferreira às 17:05
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Cemitério de Pianos

Numa Lisboa sem tempo, entre Benfica e o centro, nascem, vivem, sonham, amam, casam, trabalham e morrem as personagens deste livro. No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério de pianos, instrumentos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que os rodeiam, não está morto, encontrando-se antes suspenso entre vidas. Exílio voluntário onde se reflecte, se faz amor, lugar de leituras clandestinas, espaço recatado de adúlteros, pátio de brincadeiras infantis e confessionário de mortos, é o espaço onde se encadeiam gerações.

Os narradores – pai e filho –, em tempos diferentes, que se sobrepõem por vezes, desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de sombras e luz, de silêncio e riso, de medo e esperança, de culpa e perdão. Contam-nos histórias de amor, urgentes e inevitáveis, pungentes, nas quais se lê abandono, violência doméstica e faltas nem sempre redimidas que, no entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos afectos. Falam-nos de morte, não para indicar o fim, mas a renovação, o elo entre as gerações e a continuação: o pai – relação entre dois Franciscos, iguais no nome e no destino, por um gerado, do outro genitor – nasce no dia da morte desse primeiro Lázaro; o filho, neto do seu homónimo, morre no dia em que a sua mulher dá à luz.

José Luís Peixoto oferece-nos um texto mágico, no qual se cruzam, numa interacção fluida, diálogos cúmplices com a grande tradição da literatura portuguesa e universal.

Excerto de cemitério de pianos

Publicado por João Monge Ferreira às 21:17
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